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sexta-feira, 26 de maio de 2017

Segundo Regina Zilberman, o homem não se contentou em dominar a língua apenas no em sua modalidade oral, e desenvolveu a escrita. Para isso, “novas descobertas se fizeram necessárias”...
(...) Aparentemente, porém, a raça humana não se contentou com as potencialidades da linguagem. Usuária, sobretudo da fala,  disponibilizada graças à existência de uma parte constitutiva do corpo humano, e procurando assegurar sua longevidade, a raça humana inventou uma forma de registrá-la – a escrita; o que determinou a busca de códigos específicos de fixação do oral – o alfabeto. Novas descobertas se fizeram necessárias: 1) a do receptáculo da escrita, fruto da adaptação de materiais (o barro, o metal, a pedra, a pele de alguns animais, como a do carneiro, base do pergaminho e do velino) ou do reaproveitamento de produtos naturais ( o papiro, o papel, o petróleo de que se origina o plástico empregado para a fabricação de disquetes); 2) a do instrumento incumbido de transformar o oral em texto, de que advieram, em épocas diversas, o estilete, a pena de ganso, o lápis, a caneta esferográfica, o teclado.

[...] O final do século presencia, contudo, uma situação paradoxal: diagnósticos pessimistas acompanham a valorização da leitura, proclamando-se o fim da era do livro, sua substituição por equipamentos mais desenvolvidos tecnologicamente e a soberania de formas de comunicação eletrônicas, capitaneadas pelo uso do computador e o fascínio exercido pela Internet. [...] A visão que a sociedade faz da leitura é, pois contraditória, além de multifacetada, já que o mesmo termo encobre significados diferentes para um professor de ensino básico e um crítico literário, um pai de família e um profissional liberal [...]
A autora Regina Zilberman ao detectar contradições a respeito da leitura quer dizer com isso que a perda da importância dos livros está fazendo com que a literatura fique muito restrita ao que chamamos de “cultura” e que é considerado entretenimento, nossos neurônios, estão se tornando preguiçosos pelo uso excessivo dos meios eletrônicos, pois .hoje em dia a leitura está presente diariamente no cotidiano do ser humano, mas de uma maneira desvalorizada. Porque na verdade está sendo feita mais de modo virtual do que em livros, os tipos de leituras também são na maioria frívolas, sendo mais utilizadas leituras em jogos, diversões e não em forma de literatura, ou seja uma leitura mais rebuscada. A autora acredita que está chegando o tempo dos fins dos livros e dos verdadeiros leitores.

Tynianov adotou uma perspectiva histórica para a Literatura, diferente da concepção tradicional, e rejeitou a ideia da evolução literária como um processo linear, constante, com início e término previamente determinados. A literatura, segundo Tynianov, relaciona-se com a vida social (que não é mais do que as séries vizinhas ao fato literário) por meio do jeito verbal. A literatura não apenas contribui para uma reformulação nas formas linguísticas, mas também caminha para as aparições de novas construções sociais.

Quanto ao chamado “elitismo”, trata-se, sim, de uma seleção visando a preservar o melhor do que já foi feito até hoje, e de uma resistência ao tsunami da indústria cultural. Pensadores mais recentes do que Arendt têm respondido a essas acusações. . Umberto Eco, por exemplo. O ensaísta italiano assinala a existência de vários níveis de recepção da obra literária, reconhece que o leitor culto constitui uma elite, mas observa que a particularidade dessa elite é seu caráter inclusivo, e não exclusivo. Segundo ele, é o próprio texto, e não o autor, que privilegia o leitor culto, permitindo-lhe uma “ironia intertextual” à qual o leitor ingênuo não tem acesso. A ironia intertextual, segundo Eco, é um seletor classista que “reúne os happy few — salvo que quanto maior for o número desses poucos, mais felizes hão de sentir-se”. [nota 4]
Susan Sontag também defende a literatura de padrão mais exigente e responde às denúncias de “elitismo”:
Na América do Norte e na Europa vivemos hoje, creio que é justo dizê-lo, um período de reação. Nas artes ele assume a forma de uma ação intimidadora contra as grandes obras modernas, tidas como difíceis demais, exigentes demais com o público, inacessíveis (ou “não amigáveis”). E na política, ela assume a forma de uma rejeição de qualquer tentativa de avaliar a vida pública pelo que é desdenhado como meros ideais [...].
Hoje, a maior ofensa de todas, tanto na arte como na cultura em geral, para não falar da vida política, é dar a impressão de defender algo melhor, um padrão mais exigente, que é atacado, tanto pela esquerda como pela direita, como ingênuo ou como “elitista” (uma nova bandeira dos filisteus). [nota 5]
Jonathan Franzen, conterrâneo mais novo de Sontag, também recusa a pecha de elitista: “A palavra ‘elitista’ é um bastão com que golpeiam aqueles para quem adquirir tecnologia não constitui um modo de vida”. [nota 6]
Os pensadores acima citados acham que algo deve ser preservado da rica tradição literária ocidental, como resistência à indústria cultural e a uma concepção da literatura como mero bem de consumo, produzida em função de um público pouco exigente. A indústria cultural domina, atualmente, meios de difusão muito mais numerosos e poderosos do que no século passado, e é transnacional, tendendo à homogeneização dos produtos e do público.

A autora afirma que a literatura só consegue ser exercitada inteiramente nas sociedades democráticas. Porque nas sociedades ditas totalitárias e autoritárias, os escritores sentiam-se livres para articularem o que tinham para articular, mas sob o infortúnio e o peso da censura ou de prisão. Na época atual, embora a maior parte dos países se dizem viver na democracia, os escritores padecem com os opressores não declarados como o modismo, as mídias...  Porém, ao escrever seus textos, são livres, livres para exporem o que pensam, usarem a criatividade e muito mais.

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