Segundo
Regina Zilberman, o homem não se contentou em dominar a língua apenas no em sua
modalidade oral, e desenvolveu a escrita. Para isso, “novas descobertas se
fizeram necessárias”...
(...)
Aparentemente, porém, a raça humana não se contentou com as potencialidades da
linguagem. Usuária, sobretudo da fala, disponibilizada
graças à existência de uma parte constitutiva do corpo humano, e procurando
assegurar sua longevidade, a raça humana inventou uma forma de registrá-la – a escrita;
o que determinou a busca de códigos específicos de fixação do oral – o alfabeto.
Novas descobertas se fizeram necessárias: 1) a do receptáculo da escrita, fruto
da adaptação de materiais (o barro, o metal, a pedra, a pele de alguns animais,
como a do carneiro, base do pergaminho e do velino) ou do reaproveitamento de
produtos naturais ( o papiro, o papel, o petróleo de que se origina o plástico
empregado para a fabricação de disquetes); 2) a do instrumento incumbido de
transformar o oral em texto, de que advieram, em épocas diversas, o estilete, a
pena de ganso, o lápis, a caneta esferográfica, o teclado.
[...]
O final do século presencia, contudo, uma situação paradoxal: diagnósticos
pessimistas acompanham a valorização da leitura, proclamando-se o fim da era do
livro, sua substituição por equipamentos mais desenvolvidos tecnologicamente e
a soberania de formas de comunicação eletrônicas, capitaneadas pelo uso do
computador e o fascínio exercido pela Internet. [...] A visão que a sociedade
faz da leitura é, pois contraditória, além de multifacetada, já que o mesmo termo
encobre significados diferentes para um professor de ensino básico e um crítico
literário, um pai de família e um profissional liberal [...]
A
autora Regina Zilberman ao detectar contradições a respeito da leitura quer
dizer com isso que a perda da importância dos livros está fazendo com que a
literatura fique muito restrita ao que chamamos de “cultura” e que é
considerado entretenimento, nossos neurônios, estão se tornando preguiçosos
pelo uso excessivo dos meios eletrônicos, pois .hoje em dia a leitura está
presente diariamente no cotidiano do ser humano, mas de uma maneira
desvalorizada. Porque na verdade está sendo feita mais de modo virtual do que
em livros, os tipos de leituras também são na maioria frívolas, sendo mais
utilizadas leituras em jogos, diversões e não em forma de literatura, ou seja
uma leitura mais rebuscada. A autora acredita que está chegando o tempo dos
fins dos livros e dos verdadeiros leitores.
Tynianov
adotou uma perspectiva histórica para a Literatura, diferente da concepção
tradicional, e rejeitou a ideia da evolução literária como um processo linear,
constante, com início e término previamente determinados. A literatura, segundo
Tynianov, relaciona-se com a vida social (que não é mais do que as séries
vizinhas ao fato literário) por meio do jeito verbal. A literatura não apenas
contribui para uma reformulação nas formas linguísticas, mas também caminha
para as aparições de novas construções sociais.
Quanto
ao chamado “elitismo”, trata-se, sim, de uma seleção visando a preservar o
melhor do que já foi feito até hoje, e de uma resistência ao tsunami da
indústria cultural. Pensadores mais recentes do que Arendt têm respondido a
essas acusações. . Umberto Eco, por exemplo. O ensaísta italiano assinala a
existência de vários níveis de recepção da obra literária, reconhece que o
leitor culto constitui uma elite, mas observa que a particularidade dessa elite
é seu caráter inclusivo, e não exclusivo. Segundo ele, é o próprio texto, e não
o autor, que privilegia o leitor culto, permitindo-lhe uma “ironia
intertextual” à qual o leitor ingênuo não tem acesso. A ironia intertextual,
segundo Eco, é um seletor classista que “reúne os happy few — salvo que quanto
maior for o número desses poucos, mais felizes hão de sentir-se”. [nota 4]
Susan
Sontag também defende a literatura de padrão mais exigente e responde às
denúncias de “elitismo”:
Na
América do Norte e na Europa vivemos hoje, creio que é justo dizê-lo, um
período de reação. Nas artes ele assume a forma de uma ação intimidadora contra
as grandes obras modernas, tidas como difíceis demais, exigentes demais com o
público, inacessíveis (ou “não amigáveis”). E na política, ela assume a forma
de uma rejeição de qualquer tentativa de avaliar a vida pública pelo que é desdenhado
como meros ideais [...].
Hoje,
a maior ofensa de todas, tanto na arte como na cultura em geral, para não falar
da vida política, é dar a impressão de defender algo melhor, um padrão mais
exigente, que é atacado, tanto pela esquerda como pela direita, como ingênuo ou
como “elitista” (uma nova bandeira dos filisteus). [nota 5]
Jonathan
Franzen, conterrâneo mais novo de Sontag, também recusa a pecha de elitista: “A
palavra ‘elitista’ é um bastão com que golpeiam aqueles para quem adquirir
tecnologia não constitui um modo de vida”. [nota 6]
Os
pensadores acima citados acham que algo deve ser preservado da rica tradição
literária ocidental, como resistência à indústria cultural e a uma concepção da
literatura como mero bem de consumo, produzida em função de um público pouco
exigente. A indústria cultural domina, atualmente, meios de difusão muito mais
numerosos e poderosos do que no século passado, e é transnacional, tendendo à
homogeneização dos produtos e do público.
A
autora afirma que a literatura só consegue ser exercitada inteiramente nas sociedades
democráticas. Porque nas sociedades ditas totalitárias e autoritárias, os
escritores sentiam-se livres para articularem o que tinham para articular, mas
sob o infortúnio e o peso da censura ou de prisão. Na época atual, embora a maior
parte dos países se dizem viver na democracia, os escritores padecem com os
opressores não declarados como o modismo, as mídias... Porém, ao escrever seus textos, são livres,
livres para exporem o que pensam, usarem a criatividade e muito mais.
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